
Quem é que nunca foi empurrado ou pisado por alguém nos transportes públicos? Muitas pessoas da margem Sul com destino Lisboa, têm como rotina diária o mesmo percurso perturbador: Correm para o autocarro, se tiverem o azar de ficarem em pé durante a viagem lançam olhares fulminantes aos passageiros que conseguiram lugar sentado. De seguida saem do autocarro como quem faz jogging matinal, mas de saltos altos, gravatas e pastas na mão atropelando quem estiver à frente pois quem chegar primeiro ao barco ganha. A primeira vez que estive no meio de uma pista de corrida igual a esta, ponderei a hipitese de haver demasiadas pessoas para a quantidade de bancos disponiveis no barco, no entanto não é esse o caso. Para além de haver sempre lugar (nem sempre no que preferimos, por vezes temos que sentar ao lado de alguém que cheira mal), uma boa parte das pessoas que aqueceram o banco por 5minutos levantam-se e vão direitinhas à porta de saída, ficando em pé aos 15min restantes da viagem a agarrem a porta como se não houvesse amanhã, mesmo com uma placa bem grande a informar que é expressamente proibido passageiros em frente à porta até atracar. Há ainda as restantes pessoas que se levantam e fazem fila atrás das outras que já estavam a agarrar a porta contentes por serem as primeiras a sair do barco, que se levantam exactamente nos 10min de viagem (pessoas muito bem cronometradas). Por fim existe a minoria que 1 ou 2 minutos antes da viagem terminar levanta-se e vai para a fila. Barco atracado as pessoas saem sem meias medidas para atingirem o seu objectivo de serem os primeiros nesta competição, pisam os pés, dão com os sacos na cara de outros e até empurram se for preciso tirar alguém da frente. Atingido a medalha de ouro para alguns, prata e bronze para outros que tentaram ser os primeiros. Apesar dos esforços e da quantidade de empurrões e jornais que ofereceram na cara das pessoas, como em qualquer competição há sempre os que ganham e os que perdem. Mas sendo estas, pessoas persistentes, ainda têm a possibilidade de ganharem na próxima corrida: Chegar primeiro ao autocarro\eléctrico\metro. A vontade de vencer é tão grande que muitas vezes até arriscam a vida em homenagem à vontade de ganhar na competição, atravessando a estrada até ao terreiro do Paço, cheia de transito, com Sol que encadeia os condutores e claro, com o sinal vermelho para os peões. Posterior a isso, entrando no eléctrico (no meu caso), sento-me e espero que este transporte me leve finalmente ao meu destino. Quando o eléctrico pára nas próximas paragens e vai enchendo, as pessoas têm que optar obrigatoriamente por ficarem em pé deviado à falta de lugares sentados livres, os seus olhares fixos em mim como se me lançassem um feitiço que me obrigasse a levantar é estrondoso. Observo os próximos passageiros a entrar no eléctrico com o passe sem validade ou com cartões sem dinheiro a tentarem passar 14 vezes de seguida na máquina a perguntarem inocentemente o porquê de a máquina dar verde para todos menos para essa pessoa, provocando a fila de pessoas que querem entrar e minutos perdidos em vão que são preciosos para muitos.
Andar de transportes públicos tem muito que se diga!