quarta-feira, 6 de abril de 2011

Não deixar para amanhã o dia de hoje



Por vezes é preciso fazer mudanças na vida, podem ser mudanças simples como nos hábitos alimentares, até mudanças maiores, como cortar definitivamente uma relação com alguém.
Interiormente sabemos que temos que fazer algo para que as coisas melhorarem, mas normalmente deixamos para amanhã e continuamos a viver no comodismo mesmo que este nos seja atormentador.
Mas o amanhã é uma incógnita, uma incerteza, um mistério. Quem nos garante que já não será tarde fazer o que quer que seja que deixamos hoje para fazer, para o dia de amanhã? Quem é que garante que o amanhã não traga algo devastador impedindo de voltarmos a sorrir, quando que no hoje poderíamos ter lutado pela felicidade que deixamos para o amanhã? Não existe forma de saber, de prever ou de ter a certeza do que quer que seja.
A vida é demasiado curta para deixar-mo-nos arrastar numa maré de sofrimento, desconforto ou angústia por tempo em demasia. Se é possível mudar, porque não o fazer? Porque não lutar por algo que nos fará melhor ao nosso estado de espírito? Mesmo que certas mudanças envolvam dificuldades e medos, há que ganhar coragem e dizer a nós próprios "é hoje". Porque hoje podemos ainda sorrir, tirar alguns tormentos na alma e peso no nosso coração. Há que mudar e mentalizar que o dia depois do hoje poderá nem sequer chegar.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A selva dos transportes públicos


Quem é que nunca foi empurrado ou pisado por alguém nos transportes públicos? Muitas pessoas da margem Sul com destino Lisboa, têm como rotina diária o mesmo percurso perturbador: Correm para o autocarro, se tiverem o azar de ficarem em pé durante a viagem lançam olhares fulminantes aos passageiros que conseguiram lugar sentado. De seguida saem do autocarro como quem faz jogging matinal, mas de saltos altos, gravatas e pastas na mão atropelando quem estiver à frente pois quem chegar primeiro ao barco ganha. A primeira vez que estive no meio de uma pista de corrida igual a esta, ponderei a hipitese de haver demasiadas pessoas para a quantidade de bancos disponiveis no barco, no entanto não é esse o caso. Para além de haver sempre lugar (nem sempre no que preferimos, por vezes temos que sentar ao lado de alguém que cheira mal), uma boa parte das pessoas que aqueceram o banco por 5minutos levantam-se e vão direitinhas à porta de saída, ficando em pé aos 15min restantes da viagem a agarrem a porta como se não houvesse amanhã, mesmo com uma placa bem grande a informar que é expressamente proibido passageiros em frente à porta até atracar. Há ainda as restantes pessoas que se levantam e fazem fila atrás das outras que já estavam a agarrar a porta contentes por serem as primeiras a sair do barco, que se levantam exactamente nos 10min de viagem (pessoas muito bem cronometradas). Por fim existe a minoria que 1 ou 2 minutos antes da viagem terminar levanta-se e vai para a fila. Barco atracado as pessoas saem sem meias medidas para atingirem o seu objectivo de serem os primeiros nesta competição, pisam os pés, dão com os sacos na cara de outros e até empurram se for preciso tirar alguém da frente. Atingido a medalha de ouro para alguns, prata e bronze para outros que tentaram ser os primeiros. Apesar dos esforços e da quantidade de empurrões e jornais que ofereceram na cara das pessoas, como em qualquer competição há sempre os que ganham e os que perdem. Mas sendo estas, pessoas persistentes, ainda têm a possibilidade de ganharem na próxima corrida: Chegar primeiro ao autocarro\eléctrico\metro. A vontade de vencer é tão grande que muitas vezes até arriscam a vida em homenagem à vontade de ganhar na competição, atravessando a estrada até ao terreiro do Paço, cheia de transito, com Sol que encadeia os condutores e claro, com o sinal vermelho para os peões. Posterior a isso, entrando no eléctrico (no meu caso), sento-me e espero que este transporte me leve finalmente ao meu destino. Quando o eléctrico pára nas próximas paragens e vai enchendo, as pessoas têm que optar obrigatoriamente por ficarem em pé deviado à falta de lugares sentados livres, os seus olhares fixos em mim como se me lançassem um feitiço que me obrigasse a levantar é estrondoso. Observo os próximos passageiros a entrar no eléctrico com o passe sem validade ou com cartões sem dinheiro a tentarem passar 14 vezes de seguida na máquina a perguntarem inocentemente o porquê de a máquina dar verde para todos menos para essa pessoa, provocando a fila de pessoas que querem entrar e minutos perdidos em vão que são preciosos para muitos.

Andar de transportes públicos tem muito que se diga!